LEVANTAMENTO EPIDEMIOLÓGICO DA RAIVA EM MUNICÍPIOS DA REGIÃO OESTE DO PARANÁ
Palavras-chave:
Raiva., Zoonoses., Morcego hematófago (Desmodus rotundus)., Vacinação., Saúde pública.Resumo
A raiva é uma doença viral infecciosa, de caráter zoonótico e de evolução aguda, causada pelo Lyssavirus rabies. Reconhecida como uma enfermidade negligenciada, permanece como problema de saúde pública em mais de 150 países, especialmente na Ásia e na África, onde resulta em dezenas de milhares de mortes anuais. Apesar de ser totalmente evitável por meio da vacinação, apresenta elevada letalidade: uma vez surgidos os sinais clínicos, é praticamente 100% fatal. Nos humanos, 99% dos casos estão associados à transmissão por cães domésticos, segundo a OMS (2024), com crianças de 5 a 14 anos como vítimas mais frequentes. Já nas Américas, a principal fonte de infecção em herbívoros é a mordida do morcego hematófago Desmodus rotundus. Esses morcegos colonizam abrigos naturais e artificiais, adaptando-se facilmente a alterações ambientais, o que facilita sua proximidade com rebanhos. O vírus é transmitido pela saliva durante mordeduras, podendo infectar diversos mamíferos. O impacto econômico da raiva é expressivo. Estima-se que, no Brasil, cause a morte de cerca de 40 mil bovinos ao ano, resultando em prejuízos diretos de aproximadamente 15 milhões de dólares, além de perdas indiretas de mais de 22 milhões. O custo da vacinação, em contrapartida, é baixo: cerca de R$ 2,00 por animal, valor irrisório diante do preço de um bovino de corte. Ainda assim, muitos produtores negligenciam o protocolo vacinal, contribuindo para a manutenção da doença. O estudo em questão concentrou-se nos municípios paranaenses de Ibema, Catanduvas, Guaraniaçu e Campo Bonito, analisando dados epidemiológicos cedidos pela ADAPAR entre 2023 e 2025. Foram levantados casos positivos de raiva, correlacionados com a proximidade territorial entre os municípios, a presença de abrigos de morcegos e a adesão dos produtores à vacinação. Observou-se que picos de casos coincidem com falhas no protocolo vacinal, confirmando a importância da imunização contínua. Além do prejuízo agropecuário, a raiva acarreta custos significativos à saúde pública, pois em situações de exposição humana é necessário o uso de vacinas e soros antirrábicos (SAR ou IGHAR), fornecidos pelo SUS. Esses insumos demandam recursos elevados, em casos que poderiam ser evitados com medidas preventivas adequadas. Conclui-se que a raiva, apesar de evitável, permanece como grave desafio sanitário, com impactos diretos na saúde humana, na produção pecuária e nos cofres públicos. O cumprimento rigoroso do protocolo vacinal é a forma mais eficaz de prevenção, garantindo proteção dos rebanhos, segurança dos produtores e redução de custos à saúde pública